O Brasil não é mais um país cuja religiosidade pode ser medida pelo número de católicos. A implantação do Estado laico, a chegada das igrejas protestantes,a ascensão do espiritismo e dos cultos afro-brasileiros,a influência crescente das igrejas pentecostais e de diferentes formas de misticismo foram alguns dos motivos que tiraram a Igreja católica do centro da religiosidade no país.Historicamente influenciado pela religião, que por quatro séculos esteve associada à vida pública, o Brasil assistiu a vida social se tornar múltipla e fragmentária, sendo então o indivíduo, que não tinha mais uma única força para orientar a sua conduta, convidado a depender cada vez mais de si para eleger os valores que lhe são significativos.As figuras do sagrado faz uma análise importante desse tema central da vida brasileira e mostra que a sua complexidade vai muito além da constatação do tão aclamado sincretismo religioso.“A inauguração da estátua do Cristo Redentor no alto do Corcovado, em 1931, e, dois anos mais tarde, a realização do II Congresso Eucarístico Nacional são símbolos desse espírito militante com o qual, recorrendo à tradição para solucionar suas longas décadas de crise, no mais puro estilo conservador, o catolicismo atravessará as décadas de 1930 e 40, procurando dar corpo ao projeto de recriação de um ‘Brasil católico, uma nação perpassada pelo espírito cristão’.”