A escrita de Zanoni Neves é sóbria, corredia, sem nenhum penduricalho dojargão universitês, feita para esclarecer, partilhar, dividir, multiplicar com todos quenaquelas páginas ponham os olhos. Minha sensação é que Zanoni escreveprimordialmente para os filhos e netos dos remeiros e vapozeiros, os descendentesdaqueles que tangeram vapores e barcas pelas planícies aquáticas do Velho Chico. Escreve para os descendentes de tropeiros, arrieiros, canoeiros, paqueteiros,pescadores, carreiros, guieiros, carroceiros, boiadeiros, lameiros, barqueiros,vaqueiros, marceneiros, carpinteiros, serradores, louceiras, seleiros, costureiras,lavradores, roceiros de vazante enfim, todos os que ali surgiam e para lá se dirigiam,os que transportavam e consumiam víveres e objetos, os anônimos operários daintegração daquela parte do mundo com o mundo de outras partes. Como a dizer Meninos, eis aí a obra de seus antigos. Orgulhem-se dela. Escreve para serentendido pelos simples, mas não incorre no simplismo